A glândula tireoide desepenha um papel muito importante para o metabolismo, porém algumas patologias podem compromete-la, como a presença de nódulos que a deformam, ou que produzam muito hormônio ou ainda que são malignos.
A cirurgia da tireoide é o tratamento padrão para a maior parte dos cânceres que surgem nessa glândula e também para alguns casos benignos. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer da tireoide é de tumor de cabeça e pescoço mais comum no Brasil. Somente em 2022, foram diagnosticados 4.820 novos casos da doença — a maioria (4.060) em mulheres.
A seguir vamos explicar em quais situações a cirurgia é indicada, como é realizada e quais são as chances de cura.
Embora seja particularmente difícil identificar a real causa do surgimento de nódulos na maior parte dos pacientes, eles podem surgir por diferentes motivos, entre eles:
A maior parte dos nódulos da tireoide pode ser apenas acompanhada clinicamente. Essa conduta, chamada de vigilância ativa, é indicada para nódulos pequenos e com baixa suspeita de malignidade, sendo feita com exames laboratoriais e ultrassonografias periódicas. Caso o nódulo apresente alterações com o tempo e se torne suspeito, a cirurgia poderá ser recomendada.
A cirurgia, por sua vez, é o tratamento principal para:
Entre os carcinomas, os chamados tumores bem diferenciados são os mais frequentes, além de geralmente serem menos agressivos e possuirem alta taxa de cura.
O procedimento é realizado em centro cirúrgico, sob anestesia geral, e dura, em média, duas horas.
O tipo de cirurgia depende das características do nódulo e de outros fatores avaliados pelo cirurgião, podendo ser:
A cicatriz costuma ter cerca de 4 cm, localizada na parte anterior e inferior do pescoço. Sempre que possível, a incisão é feita em uma dobra natural da pele, o que ajuda a deixa-la ainda mais discreta e o fechamento da pele é feito com sutura intradérmica (por dentro da pele), visando o melhor resultado estético possível.
Se o tumor tiver se espalhado para os linfonodos do pescoço, será necessário removê-los em um procedimento chamado esvaziamento cervical, embora isso não seja necessário na maioria dos casos.
A glândula e demais peças cirúrgicas removidas são sempre enviadas para análise no laboratório (anatomopatológico) para confirmação de benignidade ou malignidade.
As complicações são pouco frequentes e, quando acontecem, costumam ser temporárias, ficando definitivas numa porcentagem muito pequena dos pacientes. Entre elas:
Esta cirurgia necessita de alguns cuidados pre-operatórios, que começam desde a realização de exames laboratoriais para análise do estado geral de saúde do paciente. Outros exames que costumam ser solicitados incluem eletrocardiograma, radiografia do tórax, ultrassonografia cervical, tomografia computadorizada do pescoço e torax e biópsia por PAAF (puncão aspirativa por agulha fina).
Pacientes que previamente já fazem uso de alguns medicamentos, podem necessitar de ajustes, por exemplo, interromper a administração daqueles que podem provocar distúrbios da coagulação sanguínea, ou ainda hipoglicemiantes que deverão ser suspensos no dia anterior ao procedimento cirúrgico.
Outras medicações, como as utilizadas para controle pressórico, devem ser ingeridos no dia da cirurgia, com pouca água, antes da internação do paciente no hospital escolhido.
No dia do procedimento há necessidade de 8 horas de jejum para alimentos e de 4 horas para água. O paciente deverá levar sua documentação e exames, além de itens de higiene pessoal, conforme preferência.
Estas e demais orientações individualizadas são sempre repassadas durante as consultas pré-operatórias e reforçadas previamente à internação.
Normalmente, o paciente permanece internado por apenas um dia e, se não houver complicações, recebe alta no dia seguinte.
A dor no pós-operatório costuma ser leve e é facilmente controlada com analgésicos simples.
A dieta é livre, desde que seja equilibrada e saudável, e recomenda-se evitar atividades físicas intensas por cerca de 2 a 4 semanas.
Em alguns pacientes pode ser utilizado um dreno para evitar acúmulo de secreção, sendo a retirada do mesmo geralmente em 24 a 48 horas, porém podendo ser mantido até 01 semana.
Após a tireoidectomia total, é necessária a reposição diária do hormônio da tireoide. Já na lobectomia, essa reposição pode ou não ser necessária, dependendo da função da parte da glândula que foi preservada.
Independentemente do tipo de cirurgia, é essencial fazer acompanhamento médico periódico, inicialmente com consultas mensais, depois trimestrais, semestrais e, posteriormente, anuais.
Em alguns casos, após a cirurgia, pode ser necessária a radioiodoterapia (iodo radioativo) para eliminar células tumorais que possam ter restado. Essa decisão depende do estadiamento da doença, ou seja, da sua extensão.
Esse tratamento complementar costuma ter poucos efeitos colaterais quando comparado a outras terapias oncológicas, como quimioterapia ou radioterapia convencional.
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) informa que a taxa de cura do carcinoma papilífero, o tipo mais comum de câncer diferenciado da tireoide, é de quase 100%.
Quando bem indicada e corretamente realizada, a cirurgia é altamente curativa.
O prognóstico é ainda melhor quando o tumor é pequeno e não apresenta metástases. Já nos casos mais avançados, com tumores maiores ou disseminação para estruturas próximas, a cirurgia associada à radioiodoterapia também oferece excelentes resultados.
A cirurgia de tireoide deve ser realizada por um cirurgião de cabeça e pescoço, profissional especializado nessa região. Ele atua em conjunto com uma equipe multidisciplinar para garantir o melhor tratamento, visando eliminar a doença e restaurar a qualidade de vida do paciente. Em caso de suspeita ou diagnóstico confirmado, é recomendado procurar um especialista o quanto antes.