Sobre a glândula parótida

A glândula parótida é a maior das glândulas salivares e está localizada logo à frente da orelha, estendendo-se até a parte superior do pescoço. Sua principal função é produzir saliva, que ajuda na digestão e na lubrificação da boca. Ela pode ser acometida por quadros inflamatórios e tumorações, sendo muito mais frequente as lesões benignas.

O que causa nódulos na parótida

Os nódulos da glândula parótida podem surgir por diversas causas, entre as mais comuns estão:

  • Tabagismo.
  • Infecções (como caxumba ou sialoadenite bacteriana)
  • Obstruções dos ductos salivares por cálculos
  • Cálculos salivares (sialólitos) surgem quando há:
    • Redução ou estagnação do fluxo salivar
    • Alterações na composição da saliva (como excesso de cálcio)
    • Desidratação
    • Inflamações repetidas
    • Uso de medicamentos que diminuem a produção de saliva
  • Alterações genéticas
  • Exposição prévia à radiação
  • Doenças autoimunes (como a síndrome de Sjögren)

Quando a cirurgia é indicada

A parotidectomia é a cirurgia realizada para remover parte ou toda a glândula parótida. Ela normalmente pode ser indicada em diferentes situações, como:

  • Cistos causando deformação estética
  • Lesões causando dor ou inchaço persistente.
  • Presença de nódulos sólidos ou tumores (benignos ou malignos).

Como a cirurgia é feita

A cirurgia é realizada em ambiente hospitalar, sob anestesia geral.

  • O cirurgião faz uma incisão logo à frente e junto da orelha, que costuma se estender discretamente até o pescoço, por baixo da orelha.
  • A glândula é cuidadosamente dissecada, preservando estruturas importantes, dentre eles a principal é o nervo facial, que cursa no meio desta glândula e é responsável pelos movimentos da face.
  • O tempo médio da cirurgia pode variar entre 2 e 4 horas, dependendo da complexidade, extensão e tipo de tumor.
  • O fechamento da pele é feito com sutura intradérmica (por dentro da pele), visando o melhor resultado estético possível.
  • A glândula removida sempre é enviada para análise no laboratório (anatomopatológico) para confirmação de benignidade ou malignidade.

Possíveis riscos da cirurgia

Como todo procedimento cirúrgico, a parotidectomia pode apresentar riscos, como:

  • Alterações temporárias ou permanentes no movimento da face, devido à necessidade de manipulação do nervo facial. Este risco, apesar de ser muito relevante esteticamente, costuma ter uma incidência baixa, principalmente nos quadros benignos, aumentando em casos de tumores malignos.
  • Acúmulo de líquido (seroma) e fístula salivar, já que é uma glândula produtora de saliva, portanto naturalmente produz grande quantidade de secreção. Para reduzir o acúmulo de secreções, frequentemente opta-se por alocar dreno que costuma ser retirado em até 07 dias.
  • Infecção no local da cirurgia, risco inerente à qualquer procedimento cirúrgico, mas que quando necessário, costuma ser debelado com uso de antibióticos.
  • Alteração temporária ou definitiva de sensibilidade na pele ao redor da orelha, já que o nervo que promove a sensibilidade nesta região encontra-se no trajeto da incisão cirúrgica, sendo sua simples manipulação suficiente para alterar a sensibilidade normal.
  • Síndrome de Frey (sudorese no rosto ao se alimentar), costuma ter baixa incidência clínica, geralmente se apresentando de forma subclínica, ou seja, sintomas discretos e que não provocam desconforto significativo perceptível pelos pacientes.

Preparo pré-operatório

Antes da cirurgia, o paciente deve:

  • Passar por avaliação clínica detalhada com exames de imagem, como ultrassonografia, tomografia ou ressonância.
  • Biópsia por PAAF (punção aspirativa por agulha fina), que costuma ser um procedimento pouco doloroso e nos fornece uma sugestão da possibilidade da lesão ser benigna ou maligna.
  • Realizar exames laboratoriais pré-operatórios.
  • Outros exames como eletrocardiograma, radiografia de torax e ecocardiograma doppler podem ser solicitados.
  • Conversar com o cirurgião sobre o uso de medicamentos, como anticoagulantes, que podem precisar ser suspensos temporariamente.
  • Jejum de 8 horas antes da cirurgia, de acordo com orientação médica.

Recuperação após a cirurgia

  • A internação costuma durar 1 a 2 dias.
  • O dreno cirúrgico, se colocado, é geralmente retirado em 24 a 48 horas, podendo permanecer por até uma semana.
  • O paciente pode apresentar inchaço e desconforto nos primeiros dias, controlados com analgésicos e cuidados locais.
  • A cicatrização completa leva algumas semanas, mas o retorno às atividades leves pode ocorrer em poucos dias, conforme orientação médica.
  • Repouso para atividades físicas intensas por 2 a 4 semanas.

Tratamentos complementares

Nos casos de tumores malignos, pode ser necessário complementar a cirurgia com:

  • Radioterapia, para aumentar a chance de controle da doença.
  • Quimioterapia, em situações específicas, geralmente em tumores mais agressivos ou metastáticos.

Chances de cura

  • Para tumores benignos, a taxa de cura é praticamente total com a cirurgia, embora alguns poucos casos possam recidivar, exigindo novo procedimento.
  • Para tumores malignos, as chances de cura variam conforme o tipo e o estágio da doença, mas costumam ser elevados, principalmente nos estágios iniciais e quando tratados adequadamente.

Qual especialista realiza a cirurgia

A cirurgia da glândula sublingual é realizada pelo cirurgião de cabeça e pescoço, médico especialista em doenças das glândulas salivares, bem como em procedimentos na região da boca, pescoço e face.