Sobre a glândula submandibular

A glândula submandibular é uma das três principais glândulas salivares da boca, localizada logo abaixo da mandíbula, 01 de cada lado. Sua principal função é produzir saliva, que auxilia na mastigação, digestão e manutenção da saúde bucal.

A cirurgia da glândula submandibular é um procedimento indicado em diversas situações, como presença de cálculos (pedras), infecções de repetição, tumores benignos ou malignos, entre outras alterações.
Abaixo, você encontrará um guia sobre o tema.

O que causa lesões na glândula submandibular

Os nódulos na glândula submandibular podem surgir por diferentes motivos, incluindo:

  • Doenças inflamatórias ou obstrutivas, como pedras (sialolitíase)
  • Cálculos salivares (sialólitos) surgem quando há:
    • Redução ou estagnação do fluxo salivar
    • Alterações na composição da saliva (como excesso de cálcio)
    • Desidratação
    • Inflamações repetidas
    • Uso de medicamentos que diminuem a produção de saliva
  • Alterações genéticas que levam ao crescimento desordenado das células
  • Exposição a fatores de risco como tabagismo
  • Exposição a radiação ou a certas substâncias químicas.
  • Doenças autoimunes (como a síndrome de Sjögren)

Quando a cirurgia é indicada

A cirurgia da glândula submandibular é recomendada quando:

  • Há cálculos (sialolitos) obstruindo os ductos, causando dor, inchaço e infecções recorrentes.
  • Há tumores, benignos ou malignos, detectados em exames clínicos e de imagem.
  • Assim como na glândula parótida, na glândula submandibular também são mais frequentes tumores benignos que malignos
  • O paciente apresenta infecções repetitivas que não melhoram com tratamentos clínicos.
  • Alterações suspeitas identificadas em exames, que necessitam de análise definitiva por biópsia.

Como a cirurgia é feita

A cirurgia é realizada sob anestesia geral.

O cirurgião faz uma pequena incisão de 3 a 4 cm sob a mandíbula, permitindo acesso direto à glândula, que é cuidadosamente removida, preservando nervos e estruturas próximas.

O fechamento da pele é feito com sutura intradérmica (por dentro da pele), visando o melhor resultado estético possível.

A glândula removida sempre é enviada para análise no laboratório (anatomopatológico) para confirmação de benignidade ou malignidade.

Possíveis riscos da cirurgia

Como todo procedimento cirúrgico, a remoção da glândula submandibular apresenta alguns riscos, incluindo:

  • Alterações temporárias ou permanentes na sensibilidade e movimentação da língua, devido a íntima relação da glândula com o nervo lingual que fornece sensibilidade aos 2/3 anteriores da língua de cada lado e com o nervo hipoglosso que promove a movimentação da língua.
  • Alterações no movimento do lábio inferior, pois o nervo marginal mandibular que efetua movimentos desta região tem íntima relação com esta glândula.
  • Sangramentos, infecção ou formação de seroma (acúmulo de líquido no local), ocasionalmente podendo ser necessário a utilização de drenos para evitar estas complicações.
  • Cicatriz visível, embora geralmente fique discreta e bem posicionada.

Preparo pré-operatório

Antes da cirurgia, o paciente deve:

  • Realizar exames de sangue e imagem, como ultrassonografia ou tomografia.
  • Em caso de tumores, ser submetido a biópsia por PAAF (punção aspirativa por agulha fina), que costuma ser um procedimento pouco doloroso e nos fornece uma sugestão da possibilidade da lesão ser benigna ou maligna.
  • Outros exames como eletrocardiograma, radiografia de torax e ecocardiograma doppler podem ser solicitados.
  • Informar ao médico sobre o uso de medicamentos, alergias ou doenças pré-existentes.
  • Jejuar conforme orientação médica, geralmente 8 horas antes da cirurgia.
  • Seguir orientações específicas quanto à suspensão de anticoagulantes ou outros fármacos.

Recuperação após a cirurgia

A recuperação costuma ser tranquila. O paciente pode apresentar:

  • Inchaço e leve desconforto nos primeiros dias.
  • Pequenos hematomas no local da incisão.
  • Necessidade de medicação analgésica e, às vezes, antibióticos.
  • O retorno às atividades cotidianas costuma ocorrer entre 7 e 10 dias, mas esforços físicos devem ser evitados por cerca de 2 a 4 semanas.
  • O acompanhamento pós-operatório é essencial para garantir a boa cicatrização e adequado seguimento em caso de tumorações confirmadas.

Tratamentos complementares

Em casos de tumores malignos, pode ser necessário tratamento complementar com radioterapia ou, em situações específicas, quimioterapia. O plano terapêutico é definido pelo cirurgião e pela equipe multidisciplinar.

Chances de cura

  • Para cálculos e infecções de repetição, a cirurgia geralmente é curativa, com resolução definitiva dos sintomas.
  • Para tumores benignos, a remoção da glândula costuma garantir a cura completa, embora em alguns pouos casos possa haver recidiva.
  • Em casos de tumores malignos, a chance de cura depende do tipo, estágio da doença e resposta aos tratamentos complementares, por tanto, neste contexto, o diagnóstico e tratamento precoces são os fatores mais relevantes.

Qual especialista realiza a cirurgia

A cirurgia da glândula sublingual é realizada pelo cirurgião de cabeça e pescoço, médico especialista em doenças das glândulas salivares, bem como em procedimentos na região da boca, pescoço e face.