Sobre o câncer de boca

O câncer de boca é um tipo de tumor maligno que pode afetar diferentes regiões da cavidade oral, como língua, gengivas, lábios, assoalho da boca, céu da boca ou bochechas. Ele ocorre quando as células dessas regiões sofrem alterações e começam a crescer de forma desordenada, formando uma massa que pode invadir tecidos vizinhos e, em alguns casos, se espalhar para outros órgãos.

O que causa o câncer de boca

As principais causas e fatores de risco incluem:

  • Tabagismo (cigarro, charuto, cachimbo, narguilé).
  • Consumo frequente de bebidas alcoólicas, especialmente em combinação com o tabaco.
  • Possível relação com infecção pelo vírus HPV, transmitido principalmente por via sexual.
  • Exposição solar prolongada, especialmente para câncer nos lábios.
  • Má higiene oral e traumas crônicos na boca (como por próteses mal ajustadas).
  • Histórico familiar de câncer.

Quando a cirurgia é indicada

A cirurgia é indicada sempre que há diagnóstico confirmado de câncer de boca e o tumor pode ser removido com margens de segurança. A recomendação também leva em conta o tamanho, o local da lesão, se houve ou não disseminação para os linfonodos (gânglios) do pescoço e as condições de saúde do paciente.

Como a cirurgia é feita

A técnica depende da localização e do estágio do tumor. Pode incluir:

  • Remoção do tumor primário com margem de segurança.
  • Dissecção cervical, quando é necessário retirar linfonodos do pescoço para análise ou tratamento, seja pela presença de metástases ou mesmo na ausência destas, pois em alguns casos não havendo metástases identificáveis, dependendo do estágio do tumor, pode ser necessário o esvaziamento de princípio.
  • Reconstrução da área operada, principalmente em casos de ressecções maiores com grandes perdas teciduais, podendo ser realizadas com enxertos ou retalhos de pele e músculo, para restabelecer a função e estética.
  • O procedimento é feito em centro cirúrgico, sob anestesia geral, e pode durar de algumas horas, dependendo da complexidade.

Possíveis riscos da cirurgia

Como qualquer procedimento cirúrgico, existem riscos, que variam conforme a extensão da cirurgia:

  • Sangramento e infecção.
  • Alterações temporárias ou permanentes na fala, mastigação ou deglutição.
  • Alterações estéticas.
  • Dormência ou fraqueza em regiões da boca, língua ou pescoço.
  • Risco anestésico, especialmente em pacientes com doenças associadas.

Preparo pré-operatório

O preparo geralmente inclui:

  • Passar por avaliação clínica detalhada com exames de imagem, como ultrassonografia, tomografia ou ressonância.
  • Biópsias prévias ao procedimento geralmente são necessárias.
  • Realizar exames laboratoriais pré-operatórios.
  • Outros exames como eletrocardiograma, radiografia de torax e ecocardiograma doppler podem ser solicitados.
  • Conversar com o cirurgião sobre o uso de medicamentos, como anticoagulantes, que podem precisar ser suspensos temporariamente.
  • Jejum de 8 horas antes da cirurgia, de acordo com orientação médica.
  • Interrupção de tabagismo e etilismo, que prejudicam a cicatrização e as chances de cura.
  • Em alguns casos, acompanhamento com fonoaudiólogo e nutricionista antes e após a cirurgia.

Recuperação após a cirurgia

A recuperação varia conforme o tipo de cirurgia:

  • O paciente pode ficar internado por alguns dias, principalmente em casos mais extensos.
  • Dor, dificuldade para falar, engolir ou se alimentar são comuns nos primeiros dias.
  • Alimentação pode ser adaptada, começando com líquidos ou pastosos.
  • Fonoaudiologia e fisioterapia ajudam na reabilitação da fala, mastigação e movimentos.
  • É importante comparecer às consultas de acompanhamento para avaliação da cicatrização e controle do câncer, conforme orientação do cirurgião.

Tratamentos complementares

Em muitos casos, após a cirurgia, o paciente pode precisar de:

  • Radioterapia: para eliminar células cancerígenas remanescentes, ou diminuir chances de recidiva tumoral.
  • Quimioterapia: em tumores mais agressivos ou avançados.
  • Imunoterapia ou terapias-alvo: em casos selecionados, dependendo das características do tumor.

Chances de cura

As chances de cura são maiores quando o diagnóstico é feito no início. Tumores pequenos tratados precocemente podem ter taxas de cura superiores a 80%. Em casos mais avançados, as chances diminuem, mas ainda é possível alcançar bons resultados com cirurgia associada a outros tratamentos.

Qual especialista realiza a cirurgia

A cirurgia da glândula sublingual é realizada pelo cirurgião de cabeça e pescoço, médico especialista em doenças das glândulas salivares, bem como em procedimentos na região da boca, pescoço e face.