Sobre a glândula sublingual

A glândula sublingual é uma das glândulas salivares menores do corpo humano e está localizada abaixo da língua, 01 de cada lado, na parte anterior da boca. Sua principal função é a produção de saliva, que auxilia na digestão dos alimentos, na lubrificação da boca e na manutenção da saúde oral.

O que causa lesões na glândula sublingual

As lesões e tumores da glândula sublingual têm causas variadas:

 

  • Alterações genéticas espontâneas que levam a crescimento celular desordenado.
  • Exposição a carcinógenos (tabaco, álcool, radiação)
  • Inflamações crônicas da glândula e, em alguns casos
  • Predisposição genética.
  • Cálculos salivares (sialólitos) surgem quando há:
    • Redução ou estagnação do fluxo salivar
    • Alterações na composição da saliva (como excesso de cálcio)
    • Desidratação
    • Inflamações repetidas
    • Uso de medicamentos que diminuem a produção de saliva
  • Trauma local

Quando a cirurgia é indicada

A cirurgia da glândula sublingual é indicada principalmente em situações como:

 

  • Presença de tumores benignos ou malignos na glândula.
    • Diferentemente do que ocorre nas glândulas parótida e submandibular, nesta glândula a maior parte dos tumores são malignos
  • Formação de cálculos (sialólitos) que obstruem a drenagem de saliva da glândula, causando dor, inchaço ou infecções repetidas.
  • Processos inflamatórios crônicos ou abscessos que não melhoram com tratamento clínico.
  • Avaliação diagnóstica em casos suspeitos de lesões neoplásicas.

Como a cirurgia é feita

O procedimento é realizado, geralmente, sob anestesia geral, para melhor conforto do paciente.

 

  • Uma pequena incisão é feita dentro da boca, no assoalho da língua, permitindo acesso direto à glândula.
  • A glândula é cuidadosamente dissecada e removida, preservando os nervos e estruturas vizinhas.
  • Na maioria dos casos, não há necessidade de cortes externos, o que evita cicatrizes visíveis.
  • A glândula removida sempre é enviada para análise no laboratório (anatomopatológico) para confirmação de benignidade ou malignidade.

Possíveis riscos da cirurgia

Assim como qualquer procedimento cirúrgico, a remoção da glândula sublingual apresenta riscos, como:

 

  • Alterações temporárias ou permanentes na sensibilidade e mobilidade da língua, embora essas complicações sejam raras, elas são possíveis devido à proximidade dos nervos lingual e hipoglosso, que são responsáveis respectivamente pela sensibilidade dos 2/3 anteriores da língua e pela movimetação da mesma, de cada lado.
  • Sangramento durante ou após a cirurgia ou formação de hematomas, devido tratar-se de uma região muito vascularizada.
  • Infecção no local operado, já que a própria boca é considerada uma área contaminada.

Preparo pré-operatório

Antes da cirurgia, o paciente passará por:

  • Avaliação clínica completa, incluindo exame físico e análise de exames de imagem, como ultrassonografia, tomografia ou ressonância magnética.
  • Exames laboratoriais de rotina, para garantir segurança durante a anestesia.
  • Outros exames como eletrocardiograma, radiografia de torax e ecocardiograma doppler podem ser solicitados.
  • Informar ao médico sobre o uso de medicamentos, alergias ou doenças pré-existentes.
  • Orientações sobre jejum, uso ou suspensão de medicações, e esclarecimento de dúvidas com o cirurgião.

Recuperação após a cirurgia

A recuperação costuma ser rápida. O paciente pode apresentar:

  • Inchaço leve e desconforto, que normalmente melhoram nos primeiros dias.
  • Lesão com aspecto de afta no assoalho da boca
  • Recomenda-se alimentação pastosa e/ou líquida fria por alguns dias para maior conforto.
  • O retorno às atividades leves costuma ocorrer em 3 a 5 dias, mas esforços físicos devem ser evitados por cerca de 2 semanas.

Tratamentos complementares

Na maioria dos casos, não há necessidade de tratamentos adicionais após a cirurgia para lesões benignas.
Para casos de tumores malignos, podem ser recomendados:

  • Radioterapia
  • Quimioterapia

 

Essas indicações dependem do tipo e estágio da doença.

Chances de cura

  • Lesões benignas: a cirurgia geralmente é curativa, com índices muito altos de sucesso.
  • Tumores malignos: a taxa de cura depende do tipo histológico e do estágio da doença, mas a cirurgia associada a outros tratamentos costumam oferecer bons resultados, sendo de extrema relevância o diagnóstico e tratamento precoces para obter sucesso no desfecho.

Qual especialista realiza a cirurgia

A cirurgia da glândula sublingual é realizada pelo cirurgião de cabeça e pescoço, médico especialista em doenças das glândulas salivares, bem como em procedimentos na região da boca, pescoço e face.