LESÕES DE CARTILAGEM NO JOELHO

CARTILAGEMJOELHO

A cartilagem articular é um tecido branco, liso e resistente que reveste as extremidades dos ossos dentro das articulações. No joelho, ela está presente no fêmur, na tíbia e na patela, permitindo movimentos suaves e sem dor entre os ossos, além de absorver choques e cargas.

Ao contrário de outros tecidos do corpo, a cartilagem não tem vasos sanguíneos, o que dificulta sua regeneração natural quando lesada.

O QUE SÃO LEÕES DE CARTILAGEM?

As lesões condrais são defeitos que ocorrem na superfície da cartilagem articular, podendo variar desde um amolecimento até a exposição do osso subcondral. Quando não tratadas, essas lesões podem evoluir para artrose.

Tipos de lesões da cartilagem

As lesões podem ser classificadas de acordo com sua profundidade, localização e causa

Quanto à profundidade (classificação de Outerbridge):

• Grau I: amolecimento da cartilagem
• Grau II: fragmentação superficial
• Grau III: fissuras profundas
• Grau IV: perda total da cartilagem com exposição óssea

Quanto à origem:

• Traumáticas: por impacto direto ou torção (comuns em esportes)
• Degenerativas: desgaste progressivo, geralmente em pessoas acima dos 40 anos
• Osteocondrite dissecante: condição em que um fragmento de osso e cartilagem se solta do joelho
• Osteonecrose

Localização mais comum:

• Côndilo femoral medial
• Tróclea femoral
• Patela

Quais são os sintomas?

• Dor localizada no joelho, principalmente ao movimento
• Inchaço ou derrame articular
• Estalos ou rangidos (“crepitação”)
• Bloqueio ou travamento articular (em casos com fragmentos soltos)
• Perda de performance esportiva

Como prevenir lesões de cartilagem?

• Fortalecimento muscular: protege as articulações do impacto
• Correção de desalinhamentos: como varo ou valgo do joelho
• Controle do peso corporal
• Evitar sobrecarga excessiva ou treinos sem recuperação
• Tratar precocemente lesões ligamentares ou meniscais associadas

Tratamento das lesões de cartilagem

1. Tratamento conservador:

• Analgésicos e anti-inflamatórios
• Fisioterapia para fortalecimento muscular e melhora da marcha
• Viscossuplementação com ácido hialurônico
• Suplementação oral (colágeno tipo II, condroitina e glicosamina)
• Restrição de atividades de impacto

2. Tratamento cirúrgico:

Indicado para lesões sintomáticas, falha do tratamento conservador ou lesões maiores. As principais opções são:

1. Desbridamento artroscópico
• Remoção de fragmentos soltos e alisamento da área lesada
2. Microfraturas
• Perfurações no osso subcondral para estimular a formação de fibrocartilagem
3. Implante de membranas condrais (ex: AMIC)
• Uso de colágeno ou membranas para estimular a regeneração da cartilagem
4. Mosaicoplastia (osteocondral autograft transfer – OAT)
• Transplante de cilindros de osso e cartilagem do próprio paciente
5. Transplante osteocondral alógeno
• Indicado em grandes lesões, utilizando enxertos de banco de tecidos
6. Implante de condrócitos autólogos (ACI)
• Técnica avançada, exige duas cirurgias e cultivo de células

COMO É A RECUPERAÇÃO?

A reabilitação varia conforme o tipo de procedimento realizado. Em geral, envolve:

Fase inicial (0 a 6 semanas)
• Restrição de carga (uso de muletas)
• Foco em analgesia, ganho de movimento e controle do edema

Fase intermediária (6 a 12 semanas)
• Retorno gradual da carga
• Fortalecimento progressivo de quadríceps, glúteos e core
• Início de exercícios funcionais

Fase final (3 a 6 meses)
• Atividades específicas, treino de equilíbrio e propriocepção
• Retorno gradual ao esporte (com supervisão médica)

Nota: o tempo de recuperação total pode chegar a 6–9 meses, dependendo da técnica e da resposta individual.

qual o PROGNÓSTICO?

Com tratamento adequado e reabilitação bem conduzida, muitos pacientes conseguem alívio da dor, recuperação funcional e retorno às atividades físicas. Contudo, o tecido cartilaginoso regenerado dificilmente tem a mesma qualidade da cartilagem original — por isso, a prevenção e o diagnóstico precoce são essenciais.