Condropatia patelar

CONDROPATIA PATELARJOELHO

A condropatia patelar é uma alteração na cartilagem que reveste a parte posterior da patela (rótula), estrutura que faz contato com o fêmur durante os movimentos do joelho. Essa condição ocorre quando a cartilagem patelar se desgasta, amolece, fissura ou até se fragmenta, causando dor na parte anterior do joelho — especialmente ao subir ou descer escadas, agachar ou permanecer muito tempo sentado.

É uma das causas mais comuns de dor anterior no joelho e afeta tanto atletas quanto pessoas sedentárias, podendo surgir em qualquer faixa etária.

Quais são os tipos e graus da condropatia?

A condropatia é classificada de acordo com a gravidade da lesão na cartilagem. A classificação mais usada é a classificação de Outerbridge:

• Grau I: amolecimento da cartilagem (condromalácia)
• Grau II: fragmentação superficial (fibrilação) com extensão menor que 1,5 cm
• Grau III: fissuras profundas ou maiores que 1,5 cm
• Grau IV: perda total da cartilagem, com exposição do osso subcondral

Quais são as causas?

A condropatia patelar pode ser causada por múltiplos fatores, incluindo:

• Desequilíbrio muscular, especialmente do quadríceps (vasto medial)
• Mau alinhamento da patela ou patela alta
• Displasia troclear (alteração anatômica do sulco femoral)
• Atividades repetitivas com sobrecarga patelofemoral
• Traumas diretos ou indiretos
• Hipermobilidade ou instabilidade patelar

Quais são os sintomas?

Dor na parte da frente do joelho, especialmente ao:

• Subir/descer escadas
• Agachar ou ajoelhar
• Sentar por longos períodos (sinal do “cinema”)
• Estalos ou rangidos ao dobrar o joelho
• Inchaço leve ou sensação de pressão
• Em casos avançados, limitação funcional e dor constante

Como prevenir a condropatia?

• Fortalecimento do quadríceps, principalmente o vasto medial oblíquo (VMO)
• Correção de desequilíbrios musculares
• Alinhamento biomecânico adequado durante a prática esportiva
• Controle de peso corporal
• Evitar exercícios de impacto excessivo sem orientação profissional
• Alongamento muscular, especialmente de isquiotibiais e quadríceps

Tratamento da condropatia patelar

1. Tratamento conservador:

É a primeira linha na maioria dos casos:
 • Fisioterapia específica: fortalecimento do VMO, estabilizadores do quadril e core
 • Alongamento de cadeias posteriores
 • Analgésicos e anti-inflamatórios em fases agudas
 • Viscossuplementação com ácido hialurônico (em casos selecionados)
 • Uso de palmilhas e joelheiras com guia patelar em alguns casos
 • Adaptação de atividades físicas para evitar sobrecarga patelofemoral

2. Tratamento cirúrgico:

Indicado nos casos refratários ao tratamento clínico ou quando há lesões condrais avançadas. As opções incluem:
 • Artroscopia do joelho: para desbridamento e regularização da cartilagem
 • Liberação do retináculo lateral: em casos de tilt ou maltracking patelar
 • Realinhamento extensor (osteotomia da TAT): em pacientes com patela alta ou lateralizada
 • Microfraturas ou mosaicoplastia: em casos com perda de cartilagem
 • Implantes de membranas ou células (ACI, AMIC): técnicas mais avançadas e selecionadas

3. Qual o prognóstico?

A maioria dos pacientes responde muito bem ao tratamento conservador. O prognóstico depende do grau da lesão, do tempo de sintomas e da adesão à reabilitação. Casos leves (grau I e II) têm excelentes resultados com fisioterapia. Casos mais graves (grau III e IV) podem necessitar de intervenção cirúrgica para evitar progressão para artrose.