A condropatia patelar é uma alteração na cartilagem que reveste a parte posterior da patela (rótula), estrutura que faz contato com o fêmur durante os movimentos do joelho. Essa condição ocorre quando a cartilagem patelar se desgasta, amolece, fissura ou até se fragmenta, causando dor na parte anterior do joelho — especialmente ao subir ou descer escadas, agachar ou permanecer muito tempo sentado.
É uma das causas mais comuns de dor anterior no joelho e afeta tanto atletas quanto pessoas sedentárias, podendo surgir em qualquer faixa etária.
• Grau I: amolecimento da cartilagem (condromalácia)
• Grau II: fragmentação superficial (fibrilação) com extensão menor que 1,5 cm
• Grau III: fissuras profundas ou maiores que 1,5 cm
• Grau IV: perda total da cartilagem, com exposição do osso subcondral
• Desequilíbrio muscular, especialmente do quadríceps (vasto medial)
• Mau alinhamento da patela ou patela alta
• Displasia troclear (alteração anatômica do sulco femoral)
• Atividades repetitivas com sobrecarga patelofemoral
• Traumas diretos ou indiretos
• Hipermobilidade ou instabilidade patelar
• Subir/descer escadas
• Agachar ou ajoelhar
• Sentar por longos períodos (sinal do “cinema”)
• Estalos ou rangidos ao dobrar o joelho
• Inchaço leve ou sensação de pressão
• Em casos avançados, limitação funcional e dor constante
• Fortalecimento do quadríceps, principalmente o vasto medial oblíquo (VMO)
• Correção de desequilíbrios musculares
• Alinhamento biomecânico adequado durante a prática esportiva
• Controle de peso corporal
• Evitar exercícios de impacto excessivo sem orientação profissional
• Alongamento muscular, especialmente de isquiotibiais e quadríceps
1. Tratamento conservador:
É a primeira linha na maioria dos casos:
• Fisioterapia específica: fortalecimento do VMO, estabilizadores do quadril e core
• Alongamento de cadeias posteriores
• Analgésicos e anti-inflamatórios em fases agudas
• Viscossuplementação com ácido hialurônico (em casos selecionados)
• Uso de palmilhas e joelheiras com guia patelar em alguns casos
• Adaptação de atividades físicas para evitar sobrecarga patelofemoral
2. Tratamento cirúrgico:
Indicado nos casos refratários ao tratamento clínico ou quando há lesões condrais avançadas. As opções incluem:
• Artroscopia do joelho: para desbridamento e regularização da cartilagem
• Liberação do retináculo lateral: em casos de tilt ou maltracking patelar
• Realinhamento extensor (osteotomia da TAT): em pacientes com patela alta ou lateralizada
• Microfraturas ou mosaicoplastia: em casos com perda de cartilagem
• Implantes de membranas ou células (ACI, AMIC): técnicas mais avançadas e selecionadas
3. Qual o prognóstico?
A maioria dos pacientes responde muito bem ao tratamento conservador. O prognóstico depende do grau da lesão, do tempo de sintomas e da adesão à reabilitação. Casos leves (grau I e II) têm excelentes resultados com fisioterapia. Casos mais graves (grau III e IV) podem necessitar de intervenção cirúrgica para evitar progressão para artrose.